Conversa feliz

Nos últimos tempos nós como sociedade temos aprendido muito sobre autismo ou TEA (Transtorno do espectro autista). Nós sabemos que autismo não tem cura e que crianças autistas um dia serão adultos autistas, até porque na maioria dos casos o diagnóstico é revelado na infância.

Muitos pais após entenderem a condição dos filhos começam a perceber uma relação entre seus comportamentos e de seus filhos. Aí vem as dúvidas,será que posso ser autista? Como isso não foi percebido antes? Isso explica muita coisa!

Por que relacionamos autismo à infância?

Temos duas grandes explicações para que isso aconteça. A primeira delas é os primeiros sintomas surgem na infância, um bebê não demonstra comportamentos diferentes entre o colo dos pais com os de qualquer outra pessoa, que não respondem as brincadeiras típicas a idade, crianças que não atendem os chamados pelo seu nome, demora em pronunciar as primeiras palavras, isolamento em relação a outras crianças. E a segunda explicação está no aumento de diagnóstico nos últimos anos, o que não significa que seja um transtorno novo, mas como hoje temos informações sobre tudo na palma da mão, as pessoas falam mais sobre o assunto e têm menos medo de procurar uma explicação para as dificuldades dos filhos. Essa inclusive pode ser a razão para que muitos adultos que estão descobrindo o diagnóstico somente nos últimos tempos.

E pessoas que nunca foram diagnosticadas nunca tiveram nenhum tipo de tratamento e como é complicado reconhecer os sintomas, o diagnóstico tardio acaba sendo mais difícil de ser reconhecido, trazendo uma certa invisibilidade ao autismo no adulto.

Quais são as maiores dificuldades para os adultos autistas?

As maiores dificuldades tanto para autistas adultos sem diagnóstico ou para aqueles que têm consciência de sua condição estão relacionados com a comunicação, sociabilidade ( interação e comportamento) e linguagem.

O adulto que teve diagnóstico tardio pode levar uma vida normal?

Adultos com diagnóstico tardio podem sim levar uma vida que socialmente é considerada normal, eles trabalham, estudam, tem suas próprias famílias e amigos, provavelmente os sintomas se encaixam no que é conhecido como autismo leve e estão mais relacionados a interação e comunicação social.

As interações podem ser comprometidas por não entenderem um comunicado não direto, como uma mensagem não verbal ou de duplo sentido, ironia, piada. Por não perceberem maldade ou malícia nos outros e até por não terem empatia já que captar sentimentos alheios podem ser tão óbvios.

Socialmente criar conexão com os outros pode ser muito difícil, por que dificilmente demonstram afeto e nem tem muito traquejo ao recebê-lo, evita beijos e abraços, não se interessa por falar de seus sentimentos e nem compreender os dos outros, além de demonstrar que encaram a vida de forma objetiva e prática.

Adulto e criança heróis

Quanto ao funcionamento são pessoas que não gostam de trabalhar em grupos, tem dificuldade com foco e não tem bons desempenhos em tarefas escolares ou entrevistas de emprego, porém alguns podem ter desempenho acima da média e tem muita dificuldade em sair da rotina.

São pessoas sensíveis a barulhos e ambientes agitados, à luz e ao toque e muitas vezes podem desenvolver restrições alimentares.

Até aqui falamos sobre o adulto com sintomas leves, autismo nível 1 ou de alto funcionamento que não foi diagnosticado na infância e leva uma vida praticamente “normal”. Mas os sintomas do autismo podem variar de acordo com a gravidade do transtorno e a necessidade de assistência que ele vai precisar.

Quanto mais comprometido mais grave serão os sintomas:

Sintomas de autismo em adultos nível 2, precisam de assistência mas também apresentam certo grau de independência, sintomas como funcionamento mental abaixo do normal, repetições na linguagem e interesse específico sobre um determinado assunto, dificuldade de socializar e interagir.

Sintomas de autismo em adultos nível 3 ou de baixo funcionamento, é o nível mais severo, necessitam de apoio para tarefas simples, como se alimentar, se vestir e cuidar a higiene pessoal, não devem ficar sozinhas por apresentar riscos a si mesmas. Boa parte não desenvolve a fala, tem o funcionamento cognitivo prejudicado, coordenação motora disfuncional e estereotipias muito marcadas.

Como já dissemos, crianças autistas se tornam adolescentes e depois adultos autistas e é necessário discutir e levar conhecimento, assim diminuiremos o preconceito, o medo do diagnóstico, criando a possibilidade de maior enfrentamento e consequente uma vida mais sadia ao autista adulto.

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